Esses rostos, que gritamsem mover a boca, já não sãorostos de outros. Essesrostos deixaram de serconvenientemente distantese etéreos, pretextos ingênuospara a caridade de consciências pesadas.
Eduardo Galeano
Esses rostos, que gritamsem mover a boca, já não sãorostos de outros. Essesrostos deixaram de serconvenientemente distantese etéreos, pretextos ingênuospara a caridade de consciências pesadas.
Eduardo Galeano
Sombras vencidas pela miséria e pelo desesperoque arrastavam passos inconscientes,na derradeira embriaguez da fome.
Rachel de Queiroz - O Quinze
Um homem carrega o filhoou os ossos de seu filho nos braços.Este homem é uma árvore,alta e imponente,com raízes cravadas na solidão.
Eduardo Galeano
Oh! que saudades que tenhoDa aurora da minha vida,Da minha infância queridaQue os anos não trazem mais!Que amor, que sonhos, que flores,Naquelas tardes fagueirasÀ sombra das bananeiras,Debaixo dos laranjais!
Como são belos os diasDo despontar da existência!- Respira a alma inocênciaComo perfumes a flor;O mar é - lago sereno,O céu - um manto azulado,O mundo - um sonho dourado,A vida - um hino d'amor!
Que auroras, que sol, que vida,Que noites de melodiaNaquela doce alegria,Naquele ingênuo folgar!O céu bordado d'estrelas,A terra de aromas cheia,As ondas beijando a areiaE a lua beijando o mar!
Oh! dias da minha infância!Oh! meu céu de primavera!que doce a vida não eraNessa risonha manhã!Em vez das mágoas de agora,Eu tinha nessas delíciasDe minha mãe as caríciasE beijos de minha irmã!
Livre filho das montanhas,Eu ia bem satisfeito,Da camisa aberto o peito,- Pés descalços, braços nus -Correndo pelas campinasÀ roda das cachoeiras,Atrás das asas ligeirasDas borboletas azuis!
Naqueles tempos ditososIa colher as pitangas,Trepava a tirar as mangas,Brincava à beira do mar;Rezava às ave-marias,Achava o céu sempre lindo,Adormecia sorrindoE despertava a cantar!
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Oh! que saudades que tenhoDa aurora da minha vida,Da minha infância queridaQue os anos não trazem mais!- Que amor, que sonhos, que flores,Naquelas tardes fagueirasÀ sombra da bananeiras,Debaixo dos laranjais!
Meus oito anos - Cassimiro de Abreu





"Quem és tu que me lês? És o meu segredo ou sou eu o teu?"
Clarice Lispector
“Sempre tive a sensação de mal-estar no mundo, uma sensação de não caber no meu espaço, um desconforto diante de meus pares – eu me pergunto: tenho pares? Eu sabia que em mim há uma mulher que tento esconder ferozmente. Tenho medo que as pessoas identifiquem meus excessos, essa quantidade absurda de pernas e braços que camuflo sob a roupa que visto. O que diriam se soubessem das muitas que vivem em mim e tentam bravamente, numa luta corporal, projetar-se do meu corpo? Tomar-me-iam por uma aberração?”
Clarice Lispector
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